| Atletas que jogam com a mente |
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| Ter, 22 de Novembro de 2011 15:37 |
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Associação Brasileira, que inclui xadrez, damas, go, pôquer e brigde, é criada para dar reconhecimento maior a modalidades que trabalham essencialmente o raciocínio, deixando a parte física em segundo plano.
Mente sã. Corpo, não necessariamente. Para comprovar a tese de que nem todo grande campeão precisa estar no auge da forma física, mas que toda competição de alto nível exige raciocínio, foi fundada na última quinta-feira a Associação Brasileira de Esportes Intelectuais (Abrespi), unindo cinco modalidades que costumam fazer mais sucesso nas mesas de concreto das pracinhas do que em modernas arenas esportivas: jogo de damas, xadrez, bridge, GO (um jogo de tabuleiro oriental) e pôquer. Suor na camisa, só se for de fundo nervoso. Para quem só consegue imaginar aposentados, nerds, boêmios ou obesos praticando essas modalidades que querem ser tratadas como esportes, Darcy Lima, presidente da Abrespi, argumenta que o melhor enxadrista do Brasil atualmente, o grande mestre Alexandre Fier, 23 anos, é um grandalhão de cabelo raspado, que não usa óculos e poderia perfietamente ser confundido com um lutador de MMA. - Hoje é fundamental para quem joga xadrez cuidar também da preparação física. Mas não precisa ser atleta, basta um trabalho aeróbico. O cérebro trabalha por muito tempo e o cansaço dificulta o raciocínio. Vocação de Hernanes Mais do que desenvolver, disciplina, capacidade de decisão e até mesmo ajudar na prevenção e tratamento de doenças, como o Mal de Alzheimer, os chamados esportes intelectuais podem ser usados em jovens como eficientes testes vocacionais. Convidado pelo técnico Cilinho, em 2004, para trabalhar com atletas das divisões de base do São Paulo, o presidente da Confederação Brasileira de Damas, Leilo Marcos Sarcedo, não demorou a detectar um talento que depois brilharia no time. - O Hernanes, ainda com 15, 16 anos, pegava muito rápido as respostas dos movimentos no tabuleiro. Deu para ver que sua visão do campo seria diferente – afirma Sarcedo. – O campo é como um tabuleiro. As peças se equivalem. No xadrez, não. O clero influi, a realeza influi... Essa divisão hierárquica que difere damas e xadrez o faz levantar uma controvertida tese socioeconômica. - Criança de colégio particular não joga damas bem. Já a pobre acorda fazendo cálculos o tempo todo para sobreviver, vai a pé para a escola, atravessa rua... Dama é cálculo. Nosso campeão é semi-analfabeto. Jovens de classe média têm noção maior de planejamento estratégico. Vão melhor no xadrez. Unidos através da Abrespi, os praticantes de cada modalidade ainda mantêm o hábito de puxar a peça para o seu tabuleiro. - Dama é jogo para criança. O GO é muito mais complexo, tem 180 peças de cada lado – alfineta Yoshio Yoshitake, diretor da Confederação Brasileira de GO, hoje apenas com cerca de 100 filiados. – Já tivemos mais de 200, mas o idosos morrem e está difícil trazer a garotada. Hoje em dia, so querem saber de iPhone, videogame... Junto com as Olimpíadas Primo rico entre os esportes intelectuais, ainda com sua entrada em fase de aprovação pela International Mind Sports Association (IMSA), o pôquer acena com visibilidade e fascínio que exerce no público. - No xadrez, você só entende o que o jogador quis fazer quando acaba. O pôquer é imediato – diz Igor Trafane, presidente da Confederação de Hold’Em, que inclui o pôquer. – Quando falam de Senna e Guga, falam em obstinação. E isso tem a ver com a mente. Em meio a praticantes letrados e outros nem tanto, o próprio nome da associação gera discussões. Para o presidente da Confederação Brasileira de Bridge, Ernesto D’Orsi, de 74 anos, seria mais adequado que o batismo por aqui seguisse a nomenclatura da IMSA, que organiza os Jogos Mundiais da Mente, paralelamente ao calendário olímpico. Ano que vem, o evento será em Cardiff, na Inglaterra. E, em 2016, deve acontecer no Rio: - Intelectual talvez não seja a palavra correta. É esporte de mente. Quem trabalha é o cérebro, não o lado físico – diz ele, que sustenta uma tese polêmica – Mulher não costuma ganhar de homem no bridge. Elas tendem a ser sempre mais intuitivas, enquanto nós somos dedutivos. E bridge é dedução. Para o inglês Patrick Nally, diretor de marketing da IMSA, não é só o Brasil que vive esse paradigma de que esporte e desenvolvimento da mente seguem caminhos distintos. - Na Inglaterra, a Lei do Esporte é de 1937 e está voltada para o lado física, porque queriam mandar jovens para a guerra. Temos de mudar isso. Fonte: O Globo |



