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A Música e o Desenvolvimento da Criança PDF Imprimir E-mail
Qua, 14 de Abril de 2010 17:39

Inúmeras pesquisas, desenvolvidas em diferentes países e em diferentes épocas, particularmente nas décadas finais do século XX, confirmam que a influência da música no desenvolvimento da criança é incontestável. Algumas delas demonstraram que o bebê, ainda no útero  materno, desenvolve reações a estímulos sonoros.


Schlaug, da Escola de Medicina de Harvard (EUA), e Gaser, da Universidade de Jena (Alemanha), revelam que, ao comparar cérebros de músicos e não músicos, os do primeiro grupo apresentavam maior quantidade de massa cinzenta, particularmente nas regiões responsáveis pela audição, pela visão e pelo controle motor (apud Sharon, 2000).

Segundo esses autores, tocar um instrumento exige muito da audição e da motricidade fina das pessoas. O que esses autores perceberam, e vem ao encontro de muitos outros estudos e experimentos, é que a prática musical faz com que o cérebro funcione “em rede”. O individuo, ao ler determinado sinal na partitura, necessita passar essa informação (Visual) ao cérebro; este, por sua vez, transmitirá à mão o movimento necessário (tato); ao final disso, o ouvido acusará se o movimento feito foi o correto  (audição).

Além disso, os instrumentistas apresentam muito mais coordenação na mão não dominante do que pessoas comuns. Segundo Gaser, o efeito do treinamento musical no cérebro é semelhante ao da prática de um esporte nos músculos. Será por isso que Plantão  afirmava, há tantos séculos, que a música é a ginástica da alma?

Outros estudos apontam também que, mesmo se o contato com a música for feito por apreciação, isto é, não tocando um instrumento, mas simplesmente ouvindo com atenção e propriedade (percebendo as nuances, entendendo a forma da composição), os estímulos cerebrais também serão bastante intensos.

Ao mesmo tempo em que a música possibilita essa diversidade de estímulos, por seu caráter relaxante, pode estimular a absorção de informações, isto é, a aprendizagem.  O cientista búlgaro Dr. Giorgi Losavov, desenvolveu uma pesquisa na qual observou grupos de crianças em situação de aprendizagem e, a um deles foi oferecida música clássica, em andamento lento, enquanto estavam tendo aulas.

O resultado foi uma  diferença favorável ao grupo que ouviu música. A explicação do pesquisador é que ouvindo música clássica lenta, a pessoa passa do nível alfa (alerta) para o nível beta (relaxados, mas atentos): baixando a ciclagem cerebral, aumentam-se as atividades dos neurônios e as sinapses tornam-se mais rápidas, facilitando, assim,  a concentração e a aprendizagem (apud OSTRANDER e SCHOEDER, 1978).

Outra linha de estudos aponta a proximidade entre a música e o raciocínio  lógico-matemático. Segundo Shaw, Irvine e Rauscher  (apud CAVALCANTE, 2004), pesquisadores da Universidade de Wisconsin, alunos que receberam aulas de música apresentavam resultados de 15 a 41% superiores em testes de proporções e frações do que os de outras crianças. Em outra investigação, Shaw verificou que alunos de 2ª série, que faziam aulas de piano duas vezes por semana, apresentaram desempenho superior em matemática, em relação aos alunos de 4ª série que não estudavam música.

Enfim, o que se pode concluir a esse respeito é que efetivamente a prática de música, seja pelo aprendizado de um instrumento, seja pela apreciação ativa, potencializa a aprendizagem cognitiva, particularmente no campo do raciocínio lógico, da memória, do espaço e do raciocínio abstrato.

LÉLIA GUIMARÃES DA SILVA CUNHA
ESPECIALISTA EM EDUCAÇÃO MUSICAL

Referências Bibliográficas
ABRAMOVICH, F. Quem educa quem? 5ª Ed. São Paulo: Summus, 1985.

CAVALCANTE, R. Música na cabeça. In: http://www.habro.com.br/, acessado            em 10 de Fevereiro de 2004.
HOUAISS. Dicionário Houaiss de língua portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2002.

NOGUEIRA Monique Andriens é Doutora em Educação pela Universidade de São Paulo-USP. Professora Adjunta da Faculdade da UFG

OSTRANDER, L. e SHOEDER, L. Super-aprendizagem pela sugestologia. Rio de Janeiro: Record, 1978.

SHARON, B. A música na mente.  Revista Newsweek, 24/07/2000.

SNYDERS, G. A escola pode ensinar as alegrias da música? São Paulo: Cortez, 1992.

ZATORE e BLOOD. Música tem o mesmo endereço que sexo e comida em nosso cérebro, In: http://www.prometeu.com.br/, acessado em 01 de outubro de 2001.

 

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