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Experimento contraria a Teoria da Relatividade PDF Imprimir E-mail
Seg, 26 de Setembro de 2011 10:26

 

Pesquisadores do Cern afirmam que partículas subatômicas chamadas neutrinos atingiram uma velocidade maior que a da luz. Caso o evento seja confirmado por outros cientistas, a física terá, praticamente, de ser reinventada
Diz-se que na ciência não existem verdades definitivas. Hipóteses, teorias e conhecimentos que se acredita estarem corretos, mais cedo ou mais tarde, podem ser derrubados. Ontem pode ter sido um dia histórico para a física e a ciência em geral. Isso porque cientistas do Centro Europeu de Pesquisa Nuclear (Cern) anunciaram um evento que pode derrubar a famosa Teoria da Relatividade, de Albert Einstein. Utilizando um acelerador de partículas, os pesquisadores detectaram neutrinos — partículas componentes do átomo — viajando a uma velocidade maior que a da luz, o que contraria as leis mais básicas da física, incluindo aquelas elaboradas por Einstein.

Segundo o centro de pesquisa, as partículas subatômicas percorreram os 730km que separam as instalações do Cern em Genebra, na Suíça, do laboratório subterrâneo de Gran Sasso, no centro da Itália, a 300.006km/s. Ou seja, 6km/s mais veloz que a luz. “Dito de outro modo, em uma corrida de 730km, os neutrinos cruzaram a linha de chegada com 20m de vantagem (em relação à luz)”, explica um comunicado divulgado pelo Cern.

A descoberta possui um caráter tão revolucionário para a física que os pesquisadores decidiram ampliar seus estudos. “Nós não encontramos qualquer efeito instrumental que poderia explicar o resultado da medição”, disse Antonio Ereditato, físico da Universidade de Berna, na Suíça, que esteve envolvido no experimento, conhecido como Opera. Diante da aparente confirmação do fato, o grupo sugere que novos estudos sejam feitos para reafirmar que os neutrinos possuem mesmo a capacidade de superar a velocidade da luz.

Ceticismo
A primeira reação da comunidade científica à descoberta foi um misto de surpresa e ceticismo. “O sentimento que a maioria das pessoas tem é que não pode estar certo, isso não pode ser real”, disse à imprensa James Gillies, porta-voz do Cern. “É um choque”, afirmou o físico teórico Stephen Parke, do Fermi National Accelerator Laboratory, de Chicago, comentando a pesquisa europeia. “Se isso for verdade, vai nos causar problemas, não há dúvida sobre isso”, opinou o norte-americano.

Em entrevista ao Correio, Frank Wilczek, vencedor do Nobel de Física e cientista do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês), afirmou estar bastante surpreso com a novidade. “Seria um episódio bastante assustador. Eu ficarei muito surpreso se isso estiver correto. Eu não estou ciente de qualquer teoria coerente que preveja tal coisa. E há uma teoria muito coerente e bem-sucedida, o chamado modelo padrão, que nega essa possibilidade. Isso seria difícil de reconciliar com tudo o que já sabemos”, afirmou.

O especialista acredita que novos estudos não confirmarão a descoberta feita na Europa. “O experimento não é fácil e existem muitas possibilidades de erros. Eu não ficaria tão excitado até que isso seja cuidadosamente apurado pela comunidade científica, e seja reproduzido”, explicou o laureado pelo Nobel.

“É muito difícil reconciliar essa descoberta com as coisas que sabemos, entre elas a Teoria da Relatividade, que tem sido testada há vários anos”, completa.

Diante do caráter altamente controverso da pesquisa, os pesquisadores do Cern pedem, agora, que os testes sejam repetidos por físicos ao redor do mundo. “Em vista do enorme impacto que esse resultado pode ter para a física, são necessárias medições independentes para que o efeito observado possa ser refutado ou formalmente estabelecido”, destacou o centro de pesquisa.

A luz é o limite
Elaborada pelo físico austríaco Albert Einstein, em 1905, a teoria diz que a energia é igual à massa vezes a velocidade da luz subjacente ao quadrado, a famosa equação E=mc². Essa proposição, que rege praticamente tudo na física moderna, não admite que qualquer porção da matéria, mesmo uma partícula subatômica, ou seja, menor que um átomo, consiga romper a barreira da luz, considerada a máxima do Universo.

Pré-História

A Oceania foi ocupada antes do que a Ásia

No fim de outubro, a população mundial deve chegar a 7 bilhões de pessoas, espalhadas — em maior ou menor número — por praticamente todas as regiões de todos os continentes. Antes, no entanto, que o homem ocupasse o lugar de espécie dominante no planeta, ele precisou percorrer, literalmente, um longo caminho. Isso porque a espécie humana não surgiu distribuída ao redor do globo, mas concentrada na região nordeste da África, onde hoje fica a Etiópia. Um artigo publicado na edição de hoje da revista Science traz nova luz sobre o primeiro dos grandes movimentos populacionais terrestres: a chegada do homem à Austrália, o que deu origem ao povo aborígene.

Segundo a teoria anteriormente estabelecida, um único fluxo migratório para fora da África teria sido responsável pelo povoamento da Ásia e da Oceania. De acordo com essa tese, depois de dominarem a África, os homens aos poucos migraram apara a Ásia, originando o homem Han — com o cabelo liso e o olho puxado — e posteriormente para a Oceania, onde vivem os aborígenes, que possuem traços mais semelhantes aos africanos, como a pele escura e o nariz largo.

Entretanto, utilizando amostras de DNA de uma mecha de cabelo doada por um jovem aborígene no início do século 20 — uma época em que não havia tido ainda tanta miscigenação com o homem europeu, que aportou na região por volta de 1642 —, os pesquisadores fizeram o sequenciamento genético do indivíduo, comparando-o com dados anteriormente disponíveis de 79 pessoas de origem africana, asiática e europeia, todas sem miscigenação.

A comparação mostrou que todos esses povos de fato tiveram a mesma base genética — como se supunha, do homem surgido na África. No entanto, o estudo apontou que asiáticos e aborígenes possuem um material genético muito diferente (menos de 0,5% de coincidência), o que refuta a tese de que eles são fruto de um único movimento migratório. “Após comparar o padrão genético desses indivíduos, a partir de previsões matemáticas, nossos modelos de computador mostraram que deve ter havido duas grandes ondas de dispersão”, diz ao Correio o pesquisador da Universidade da Califórnia Berkley Rasmus Nielsen, um dos autores do estudo.

Viagem incrível
Para os pesquisadores, os nativos da Oceania foram resultado de um movimento migratório ocorrido entre 62 mil e 75 mil anos atrás. Dessa forma, eles seriam o primeiro povo a se estabelecer fora da África. “Enquanto os antepassados dos europeus e asiáticos estavam sentados em algum lugar na África ou no Oriente Médio, ainda a explorar o seu mundo, os ancestrais dos aborígenes australianos se espalharam rapidamente”, afirma à Science Eske Willerslev, da Universidade de Copenhague, na Dinamarca, principal autor do estudo. “Eles foram os primeiros humanos modernos a percorrer um território desconhecido na Ásia e, finalmente, cruzar o mar na Austrália. Foi uma viagem realmente incrível, que deve ter exigido habilidades de sobrevivência e excepcional bravura”, completa.

A grande jornada, no entanto, não deve ter sido rápida. Embora os pesquisadores não possam determinar quanto tempo o homem levou para cruzar o imenso continente asiático, rumo à Oceania, acredita-se que o caminho tenha exigido milhares de anos para ser feito. “A maioria dos arqueólogos acredita na ideia de uma rota do sul, onde a dispersão foi principalmente sobre a terra, passando pela Índia, e posteriormente por entre as ilhas da Indonésia, terminando na Austrália”, explica Nielsen. “Esse é um processo que teria levado milhares de anos.”

Apesar de cruzarem a Ásia, os ancestrais dos aborígenes não se fixaram por lá. Foram precisos outros milhares de anos para a atual população asiática ser formada. Entre 25 mil e 38 mil anos atrás, outros grupos africanos foram se estabelecendo não apenas na Ásia, como também na Europa. E somente há 15 mil anos o gelado Estreito de Bering, que separa a Sibéria do estado americano do Alasca, foi cruzado pelo homem, iniciando o povoamento da América.

Fonte: CorreioWeb | Eu, Estudante

 

 

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