Psicologia Escolar

Distúrbio, Transtorno e Dificuldade de aprendizagem

Aprender é um processo pelo qual o comportamento se modifica em consequência dos estímulos que o sujeito recebe. Para que a aprendizagem aconteça, é necessário que o organismo esteja bem nos aspectos emocionais e psicológicos, no sistema nervoso central e no periférico. Se uma ou mais funções estão comprometidas, o ser humano apresenta desempenho acadêmico abaixo do esperado.

É importante que entendamos as diferenças entre distúrbio, transtorno e dificuldade.
Distúrbio de aprendizagem é um termo genérico que se refere a um grupo heterogêneo de alterações manifestas por dificuldades significativas na aquisição e uso da audição, fala, leitura, escrita, raciocínio ou habilidades matemáticas. Essas alterações são intrínsecas ao indivíduo e presumivelmente devidas à disfunção do sistema nervoso central.

Apesar de um distúrbio de aprendizagem poder ocorrer concomitantemente com outras condições desfavoráveis (por exemplo: alteração sensorial, retardo mental, distúrbio social ou emocional) ou influências ambientais (por exemplo: diferenças culturais, instrução insuficiente/inadequada, fatores psicogênicos), não é resultado direto dessas condições ou influências (Collares e Moysés, 1992: 32).

De acordo com o CID – 10 (Classificação Internacional de Doenças), os transtornos específicos do desenvolvimento das habilidades escolares são compostos por grupos de transtornos manifestados por comprometimentos específicos e significativos no aprendizado de habilidades escolares, comprometimentos esses que não são resultado direto de outros transtornos, como o retardo mental, os déficits neurológicos grosseiros, os problemas visuais ou auditivos não corrigidos ou as perturbações emocionais, embora eles possam ocorrer simultaneamente com essas condições. Os transtornos específicos do desenvolvimento das habilidades escolares geralmente ocorrem junto com outras síndromes clínicas, como, por exemplo, o transtorno de déficit de atenção ou o transtorno de conduta, ou outros transtornos do desenvolvimento, tais como o transtorno específico do desenvolvimento da função motora ou os transtornos específicos do desenvolvimento da fala e linguagem.

Por serem de origem interna, distúrbios e transtornos independem do desejo que o portador possa ter de desempenhar atividades de forma que a família, a escola ou a sociedade esperam dele. Ele precisa, portanto, de ajuda especializada, para atingir os objetivos de desempenho social e acadêmico satisfatório.

Pain (1981, citado por Rubinstein, 1996) considera a dificuldade para aprender como um sintoma, que cumpre uma função positiva tão integrativa como o aprender, e que pode ser determinado por:

1. Fatores orgânicos: relacionados com aspectos do funcionamento anatômico, como o funcionamento dos órgãos dos sentidos e do sistema nervoso central;

2. Fatores específicos: relacionados a dificuldades específicas do indivíduo, os quais não são passíveis de constatação orgânica, mas que se manifestam na área da linguagem ou na organização espacial e temporal, dentre outros;

3. Fatores psicogênicos: é necessário que se faça a distinção entre dificuldades de aprendizagem decorrentes de um sintoma ou de uma inibição. Quando relacionado a um sintoma, o não aprender possui um significado inconsciente; quando relacionado a uma inibição, trata-se de uma retração intelectual do ego, ocorrendo uma diminuição das funções cognitivas que acaba por acarretar os problemas para aprender;

4. Fatores ambientais: relacionados às condições objetivas ambientais que podem favorecer ou não a aprendizagem do indivíduo.

Sendo assim, distúrbios, as dificuldades escolares e transtornos de aprendizagem requerem uma equipe multidisciplinar para trabalhar com o aluno e com a família.

Além disso, a parceria entre a escola e a família é primordial, pois o objetivo de ambas as instituições é o mesmo: contribuir para a plena realização do ser humano, respeitando os talentos, o ritmo e o tempo de cada um.